quinta-feira, 12 de março de 2015

Sem Fies, estudantes temem ter que trancar a faculdade...



Desde o dia 23 de fevereiro, quando abriram as inscrições para o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), a estudante cearense Alice Mello, 19, dorme tarde e acorda cedo tentando concluir sua inscrição no programa.

"Às 5h da manhã, antes de ir para a faculdade, tento me inscrever. Na faculdade, uso o wi-fi e também no trabalho passo o dia atualizando o site", conta.

Ela esbarra na etapa 3, quando aparece o código M321 e o aviso: "Limite de vagas para esse Campus/IES esgotado". "Entrei em contato com a faculdade e me informaram para continuar tentando, pois havia vagas", disse.

Ela guarda dois boletos no valor de R$1.158 já enviados pela universidade referentes à mensalidade do curso de engenharia de produção, iniciado em fevereiro.

Para se inscrever no Fies, o aluno deve estar matriculado na instituição de ensino onde pretende conseguir o financiamento.

"O Fies era a minha esperança. Se até o vencimento da segunda mensalidade [9 de abril] não der certo, vou trocar o banco da faculdade pelo banco do cursinho preparatório", lamenta.



O caso dela é parecido com o de milhares de estudantes em todo o Brasil. O grupo "Fies 2015" no Facebook reúne mais de 12.000 usuários, muitos usam a página para reclamar do erro "M321".
Maratona
A maranhense Bruna Cutrim, 22, de São Luiz, que cursa medicina em período integral na Uniceuma, afirma que chegou a ficar oito horas seguidas tentando fazer o contrato do Fies pela internet, em um domingo.

"Se não conseguir o Fies, não vou ter outra opção a não ser desistir", diz a estudante que também já recebeu dois boletos, no valor de R$6.690, cada. 
A reportagem constatou, pouco mais de meia noite desta quarta-feira (10), que a página de inscrição do Fies não estava mais disponível.

Os estudantes reclamam da falta de informações claras sobre o problema por parte do MEC.

"Se eu soubesse que teria que disputar o financiamento, eu nem teria entrado", reclama o estudante Pedro Victor, de Fortaleza, que já cursava o terceiro semestre de matemática na Universidade Estadual do Ceará, e entrou para o curso de engenharia civil, para o qual tenta o financiamento das parcelas de R$1.277,55.

Sheryda Nogueira, 24, também da capital cearense, corre risco de desistir da faculdade, após cursar dois semestres de psicologia. Ela afirma que ter enfrentado problemas para renovar o financiamento do curso e acredita que o problema seja o reajuste da mensalidade.

"Quando ingressei, no início de 2014, foi bastante fácil e sem burocracia, mas neste ano teve aumento nos valores e no número de disciplinas, por isso está tão difícil", diz.
Novas regras
O sistema do Fies estava fechado para novos contratos desde o final do ano passado, quando o MEC mudou as regras do financiamento. As novas portarias alteraram o fluxo de pagamentos do programa às instituições e definiram um mínimo de 450 pontos no Enem para novos contratos. Também ficou definido, que cursos com reajustes na mensalidade acima de 6,4% não teriam financiamento autorizado.

O MEC definiu ainda que cursos com nota 5 (indicador máximo de qualidade) continuam com "atendimento pleno", enquanto aqueles com nota 3 ou 4 estão sujeitos a "alguns aspectos regionais" --critérios que não estão claros para estudantes e instituições.

À reportagem, o MEC nega que os problemas enfrentados pelos estudantes tenham relação com as novas regras e informou, por meio de nota, que tem trabalhado em conjunto com o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), órgão vinculado ao Ministério, para garantir estabilidade ao Sistema Informatizado do Fies (SisFies), tanto para aditamentos de contratos quanto para novas inscrições.

"Pedimos paciência aos estudantes e que tentem acessar o sistema em horários alternativos", diz a nota. "É importante esclarecer que as requisições, atualmente, são liberadas por instituição de ensino e por curso, em ordem cronológica, ressalvados os critérios de qualidade, distribuição regional e disponibilidade de recursos", diz o MEC.

No início deste mês, instituições privadas divulgaram nota, assinada por quatro instituições, com críticas ao MEC, sob o argumento de que faltam "respostas objetivas sobre critérios, prazos e justificativas para as mudanças".

As inscrições para o Fies vão até 30 de abril.


Do Uol
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